© 2018 Quartabê

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projeto realizado com apoio do ProAC

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patrocínio

foto por Ilana Bar

Quartabê

Mariá Portugal (bateria)

Joana Queiroz (clarinete e clarone)

Maria Beraldo (clarinete e clarone)

Chicão (teclas)

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A identidade da Quartabê foi construída em cima da metáfora da sala de aula: o grupo se vê como uma turma de escola, que escolhe seus próprios professores dentre grandes mestres da música brasileira. Partindo do princípio de que os processos de aprendizagem e de criação têm em comum a experimentação e a brincadeira, o quarteto se caracteriza pelas suas arrojadas versões unidas a uma performance irreverente.

 

Para além da sonoridade, marcada pelas diversas referências do grupo - da vanguarda paulista à improvisação livre, passando pelo pop e a música eletrônica - a Quartabê também se destaca pela formação composta majoritariamente por mulheres, que além de instrumentistas são também arranjadoras, compositoras, cantoras e improvisadoras - o que é incomum e tem alta relevância política num meio musical em que posições de criação e poder ainda são ocupadas desproporcionalmente por homens.

 

A banda começou seus estudos gravando um primeiro disco acerca da obra do maestro Moacir Santos, o “Lição #1: Moacir" (2015). Depois de apresentar este trabalho em muitos palcos pelo Brasil e pela Europa, a turma se considerou de recuperação e gravou o EP "Depê" (2017), também dedicado à obra de Santos. Em 2018 a Quartabê inicia outra empreitada, partindo para novos estudos: a "Lição #2: Dorival", que sai via Natura Musical/selo RISCO.

 

Se Moacir possui importância inequívoca em nossa história tanto como compositor, arranjador e maestro quanto como professor, Dorival é ao mesmo tempo fundador, divulgador e revolucionário da tradição da canção popular brasileira. Criou uma linguagem de composição ao mesmo tempo simples e  sofisticada, influenciada pela música do candomblé e as nuances da cultura afro-brasileira, pela figura do pescador e seu universo, o mar - elementos marcantes de sua origem baiana - e mais tarde pela canção urbana desenvolvida no Rio de Janeiro, onde morou grande parte da vida.

 

Em "Lição #2: Dorival", a Quartabê traça um caminho diferente em relação às releituras desenvolvidas em seus dois primeiros álbuns: partindo de sessões de improvisação baseadas em fragmentos harmônicos, melódicos e rítmicos selecionados ao longo de um intenso período de estudo da obra de Dorival, chegam a uma única peça musical em que temas, motivos, timbres e outros elementos de seu universo se entrelaçam. Suas canções muitas vezes não estão em primeiro plano ou não aparecem completas: foram transformadas, dilatadas, condensadas e sobrepostas, formando uma imbricada teia em que não se sabe onde termina o autor e começa o intérprete. Ao trazer a obra de Dorival para o universo do grupo, a Quartabê busca recriar, à sua maneira, a aura ritualística desta obra-barco, levando-a a correntes desconhecidas e deixando-se embalar pelo mar infinito de Caymmi.

 

Junto com o disco, o quarteto lança um gibi que conta um pouco mais sobre o processo de composição do novo disco, gravado nos estúdios da Reb Bull, em São Paulo.

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